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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 26 a 35 anos, Persian, English, Sexo, Dinheiro
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Caixa Preta
Top 10: Filmes Assustadores
O ILUMINADO (The Shining, 1980), de Stanley Kubrick
Clássico sobre homem que aceita emprego temporário como zelador num hotel de inverno. Além da atuação genial de Jack Nicholson, o filme tem outra estrela: o próprio Overlook Hotel. Concebido pelos designers de produção de Kubrick depois de fotografarem hotéis por toda a América, o interior do Overlook foi criado inteiramente em estúdio na Inglaterra e parece um organismo vivo. Clima claustrofóbico e trilha sonora assustadora de Wendy Carlos (que também assinou o score de "Laranja Mecânica") colaboram para tornar "O Iluminado" realmente assustador. A cena em que Danny (Danny Lloyd), filho do zelador, passeia de velocípede pelo hotel e vê duas gêmeas no fim do corredor é arrepiante. Sem falar no mistério do quarto 217.
A TROCA (The Changeling, 1980), de Petar Medak
O ano de 1980 foi bom para o cinema de horror. Além de "O Iluminado", esse filme canadense estrelado pelo grande George C. Scott ("Dr. Fantástico", "Patton") traz uma petrificante e inteligente história sobre mansões mal assombradas. As cenas da visita ao sótão e da bolinha que rola pela escada abaixo não vão sair da sua cabeça!
O CHAMADO (The Ring, 2002), de Gore Verbinski
Remake do bom filme japonês "Ringu". A versão americana, estrelada por Naomi Watts ("Cidade dos Sonhos"), tem ritmo ágil e arrepia um pouco mais que o original. A trama é lugar-comum no gênero: espírito precisa resolver problema para descansar em paz e força alguém a ajudá-lo. A grande sacada é que a história ganha contornos de lenda urbana e os instrumentos de terror são fitas VHS, telefones, câmeras de circuito fechado e polaroids. As cenas do poço e da TV, já no final do filme, congelam o espectador na poltrona. Terror moderno.
O CARONA (The Hitchhiker, 1960), de Alvin Ganzer
Episódio do cultuado seriado de TV Além da Imaginação baseado numa rádio-novela de Lucille Fletcher. É a história de uma jovem que cruza a América, de Manhattan a Los Angeles, e após ter um pneu de seu carro furado, começa a avistar o mesmo sujeito ao longo de toda a viagem. Descontrolada, ela tenta atropelá-lo, mas um marinheiro a quem ela tinha oferecido carona, jura que não há ninguém na pista!
Mais adiante, ela pára o carro e telefona para a mãe. A empregada diz que a patroa havia tido uma crise nervosa após a morte da única filha! A jovem volta para o carro desnorteada e, pelo retrovisor, vê o homem da estrada sentado no banco de trás. "Siga adiante, estamos indo pro mesmo lugar". Arrrgh!
A BRUXA DE BLAIR (The Blair Witch Project, 1999), de Eduardo Sánchez e Daniel Myrick
Amado e odiado com a mesma intensidade, "A Bruxa de Blair" é inegavelmente um dos mais assustadores filmes já produzidos. Filmado em vídeo digital e, parcialmente, em 16MM, o trabalho dos novatos Sánches e Myrick é inspirado por essa obsessão televisiva de captar a "realidade". Três jovens acampam na floresta de Blair onde pretendem registrar imagens para documentário sobre a suposta bruxa que assombrou o local. A sensação de isolamento, o clima fantasmagórico da floresta e as imagens captadas pelos próprios protagonistas, atiram o espectador num estado próximo do pânico. Vozes de criança e o casebre no fim do filme vão contribuir com seus pesadelos.
O EXORCISTA (The Exorcist, 1973), de William Friedkin
O que dizer sobre "O Exorcista" que ainda não foi dito? Terror que marcou época e gerou continuações e imitações, sempre inferiores. O drama da garotinha Megan (Linda Blair), possuída pelo demônio Pazuzu, apavorou gerações. O charme do filme reside no equilíbrio entre terror explícito e a busca de soluções racionais, científicas e religiosas para o comportamento da menina. A versão do diretor, com 7 minutos a mais, tem a clássica cena da escada. De gelar a espinha.
REPULSA AO SEXO (Repulsion, 1960), de Roman Polanski
O mestre que dirigiu "O Bebê de Rosemary" é autor de um pouco visto, e muito assustador, thriller psicológico. Estrelado pela belíssima Catherine Deneuve, "Repulsa ao Sexo" é um pesadelo em preto e branco passado num apartamento em Paris. Garota com quadro que se assemelha à esquizofrenia, fica aterrorizada com a idéia de passar um fim de semana sozinha - já que a irmã (Ivonne Furnaux) viajaria com o namorado - e surta violentamente. Poucos filmes são tão perturbadores quanto essa pérola perdida de Polanski. Atenção ao último fotograma do filme!
OS OUTROS (The Others, 2001), de Alejandro Amenábar
Suspense classudo estrelado pela ótima Nicole Kidman e dirigido pelo chileno Amenábar ("Abre Los Ojos"). Neblina, escuridão, crianças pálidas, criados estranhos... Tudo nesse filme tem uma aura altamente fantasmagórica. Resultado do ótimo roteiro e da eficiente direção de arte. A cena em que o garotinho é induzido pela irmã a olhar o espírito próximo da cortina é apavorante. E que tal o livro dos mortos ou os irmãos escondidos no armário? Ugh!
O SEXTO SENTIDO (The Sixth Sense, 1999), de M. Night Shyamalan
O filme que revelou o diretor Shyamalan - que depois não faria mais nada de impressionar - fundiu a cuca de muitos espectadores que não conheciam "Coração Satânico", filmaço de Alan Parker. "O Sexto Sentido" talvez não tenha apavorado tanta gente, mas, da minha parte, considero assustadoras algumas das visões do garotinho sensitivo (Haley Joel Osmont). Lembram do espírito de uma menina que vai visitar o garoto em seu quarto?! Quem nunca ficou encanado com a presença do sobrenatural que atire a primeira pedra.
A ÚLTIMA PROFECIA (The Mothman Prohecies, 2002), de Mark Pellington
História baseada em eventos que supostamente aconteceram em fins dos anos 60 em Point Pleasant, West Virginia. O jornalista John Klein (Richard Gere) perde sua esposa num acidente de carro e depois da morte, encontra desenhos feitos por ela de uma estranha criatura com asas. Dois anos mais tarde, o jornalista se vê em outra cidade, sem ter noção de como percorreu 600 km em apenas 2 horas. Em Point Pleasant, uma policial investiga casos de habitantes do condado que dizem ter avistado um estranho ser de asas que se assemelha a uma mariposa, porém maior em altura que um ser humano. A conversa telefônica entre John Klein e a suposta entidade vai arrepiar sua nuca! Não diga que não foi avisado.
Outros "scary movies" com cenas antológicas:
OS PÁSSAROS (The Birds, 1963), de Alfred Hitchcock A NOITE DOS MORTOS VIVOS (Night of the Living Dead, 1968), de George Romero O BEBÊ DE ROSEMARY (Rosemary's Baby, 1968), de Roman Polanski CARRIE, A ESTRANHA (Carrie, 1976), de Brian De Palma HALLOWEEN (idem, 1978), de John Carpenter O PRINCIPAL SUSPEITO (Nightwatch, 1998), de Ole Bornedal O EXORCISTA III (The Exorcist III, 1990), de William Peter Blatty EXTERMÍNIO (28 Days Later, 2002), de Danny Boyle
Escrito por Mr Eddy às 18h43
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Na Companhia do Medo: boas idéias naufragam

Poucas coisas são mais assustadoras que se imaginar na pele de alguém com transtornos mentais. “Na Companhia do Medo” explora essa situação guiando o espectador pelo drama de alguém que perde o controle sobre a mente e é vítima de surtos psicóticos.
A doutora Miranda Grey (Halle Berry) é apresentada como a psiquiatra de um manicômio judiciário, casada com o chefe e que tem uma feliz vida conjugal. Como médica, ela demonstra sua crença na lógica e, como seria de esperar de uma profissional do ramo, não dá crédito a uma paciente (Penélope Cruz, inexpressiva como sempre) que se diz possuída pelo diabo.
Só que a doutora sai uma noite do trabalho e sofre um acidente após desviar de uma garota no meio do estrada, embaixo de forte chuva. A psiquiatra acorda vestida de paciente e se vê trancafiada numa sala de observação. Ela tenta reconstruir os acontecimentos, mas nada do que diz ao médico e ex-colega Pete (Robert Downey Jr, resgatado do limbo de Hollywood) parece fazer sentido. Aparentemente não houve acidente e o desfecho daquela noite foi macabro. Miranda passa a sofrer na pele o drama de suas ex-pacientes (especialmente aquela interpretada por Penélope Cruz) e amarga o tratamento bruto que, aparentemente, todo doente mental crônico recebe em instituições. A enfermeira não quer saber se Miranda era até então uma respeitada psiquiatra. Mais do que isso, ela transmite a desagradável sensação que funcionários de sanatórios têm nos pacientes um fardo bem pesado. A mulher não chega a ter a crueldade de Louisie Fletcher em "O Estranho no Ninho", mas seu desdém em relação aos internos incomoda.
O diretor e ator francês Mathieu Kassovitz (o Nino de “Fabuloso Destino de Amélie Poulain”) começa a embaralhar a percepção do espectador com eventos que podem ou não ser vistos como obra do sobrenatural. O filme até então não declarou sua fé na existência de fenômenos metafísicos e não fica claro se as sinistras manifestações na cela da paciente vêm do além ou de sua mente perturbada.
A história se desenrola para elucidar o suposto acidente de automóvel e suas implicações, e tem no caminho algumas cenas realmente apavorantes. Como de costume, certos personagens são mais críveis que os demais. O dr. Pete (Downey Jr) tinha uma queda pela psiquiatra e, supostamente, freava suas investidas porque ela era casada justamente com o chefe. No entanto, quando torna-se médico da moça, Pete parece estranhamente irritado, sem paciência ou compaixão.
O filme provoca sensações de pavor e desconforto no espectador, mesmo que a resolução da trama passe por alguns buracos no roteiro (o que o dr. Pete pesquisou na internet para que começasse a entender as afirmações de Miranda?) ou problemas de lógica (a inépcia total na segurança do sanatório). Além disso, “Na Companhia do Medo” tem outro velho chavão dos filmes que lidam com o fantástico: a ala “racional” que não acredita no sobrenatural mesmo perante as mais descaradas evidências.
Atriz competente, Halle Berry sofre com a construção da personagem, cuja confusão mental diminui conforme a história avança. Seu drama não tem o impacto de filmes como “Uma Mente Brilhante”, “Repulsa ao Sexo” ou “Spider”, nos quais personagens com distúrbios mentais realmente nos incomodam, assustam ou sensibilizam. O roteiro de “Na Companhia do Medo” converge para o fantástico e deixa o terror mental em segundo plano. Mais do que isso, o filme ameaça se transformar num thriller policial em que o mais importante é desvendar um crime.
Apesar dessas escolhas arriscadas, os acontecimentos trabalham em favor do filme. Não é muito fácil manter o público com as unhas cravadas na poltrona por 15 minutos seguidos e o diretor Mathieu Kassovitz consegue essa proeza numa sequência cheia de aparições sinistras, perseguição e visitas a locais pouco agradáveis.
O uso de efeitos especiais é interessante. A garota misteriosa que perturba a mente de Miranda é mostrada algumas vezes de forma semelhante ao espírito maligno de “O Chamado” (aquela sensação de que faltam alguns “frames” no filme).
Mas há também colagens de outros “horror movies”. As cenas do carro na estrada sob chuva, lembram bastante “A Última Profecia”, com Richard Gere, e um porão com equipamentos de vídeo é perigosamente parecido com “8MM”. O único "defeito especial" é um corpo em chamas visivelmente digital (não seria melhor usar maquiagem de cinema pra variar??).
No geral, “Na Companhia do Medo” funciona enquanto suspense e tem algumas sacadas interessantes (como a idéia de que um louco jamais dirá algo que abale o ceticismo dos médicos). Com alguma boa vontade dá até para perdoar certas convenções do gênero, que deixo de citar aqui para não entregar a história, mas o problema realmente crítico é o desfecho realizado quase em piloto automático. É uma pena, pois o filme esboça uma certa inventividade que vai pelo ralo na tentativa de compensar o sofrimento das personagens oprimidas. Essa tentativa, aliás, esbarra num seríssimo problema de lógica. Se consultado, qualquer advogado criminalista diria ao roteirista Sebastian Gutierrez quais as verdadeiras implicações para as ações da doutora Miranda Grey. O diretor fez de conta que não percebeu e o filme termina sem maiores explicações...

Escrito por Mr Eddy às 05h09
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